06 jan 2011
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Blog do Seridó
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19:19min. 
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Artigo: A doença hospitalar na saúde pública

Por Antônio Neves de A. Filho – Presidente do SINDSERV – Caicó/RN

Mais uma vez, a crise na saúde pública de Caicó vem à tona através de denúncias sobre o Hospital do Seridó. Graves problemas sangram nas calçadas do desespero de homens, mulheres, crianças e idosos que agonizam piedosamente nas filas do abandono suas feridas abertas pela faca cortante do atraso a que está submetido todo o sistema de saúde pública desta cidade. Como acontece em toda eleição, certo cidadão é eleito usando o Hospital do Seridó como moeda eleitoral, inclusive, faz daquele lugar sua residência oficial. O Hospital do Seridó, hoje, segundo informações do próprio corpo médico e de membros do Conselho Municipal de Saúde, “é um lugar desumano”, e enfrenta sérios problemas de toda ordem técnica e funcional, é um lugar de incertezas, no entanto, continua servindo para um grupo político partidário beneficiar-se eleitoralmente de sua estrutura. Agora, que está cheio de irregularidades, e colocando a vida das pessoas em risco, este mesmo grupo político partidário não aparece para resolver nem dá explicações ao povo.

Por que será que setores da imprensa omitem este debate, e determinados setores da inexistente oposição municipal não se movimenta? Por que será que ninguém consegue tirar de dentro do Hospital do Seridó este grupo partidário, liderado por certo cidadão que se apropriou de suas estruturas, alimentando-se por 40 anos de vida política, da miséria do povo pobre e sem maiores assistências a saúde, devido à má qualidade de vida ofertada por seguidas administrações que não valorizaram a pessoa humana, nem a cidadania? Porque o ministério público cala-se diante de tantos problemas acumulados no município de Caicó? Se ninguém sabe as respostas ou se sabe se omite, prevalece então uma única verdade, a dos poderosos e sugadores dos recursos públicos em benefícios de seus interesses mais escusos. Na dinâmica ideológica mais venal que repousa nos corredores sombrios do HS, prevalece à política do compadrio, do toma-lá-dá-cá, do eterno pagamento de favores eleitoreiros, que o povo pobre acha que tem que pagar com a dor da própria ferida. É o remédio da subserviência.

Fico me perguntando, o que aconteceria, se um cidadão simples e humilde, destes que pouco conhecem seus direitos, doente ou com um parente doente, e que, ao procurar um hospital público de Caicó, se encontre desamparado e sem atendimento, e não sendo atendidos com o devido direito, atenção e respeito, venha a correr risco de morte ou flagelo pela sua enfermidade, e num momento de desespero e revolta, ousasse se rebelar, como um Cristo revoltado no templo, lutando contra os vendilhões, a corrupção e as injustiças, buscando colocar para fora sua indignação, na tentativa de ser ouvido e de dignamente ter a sua cidadania reconhecida e respeitada, o que aconteceria? Ele certamente seria preso, talvez até espancado pela polícia, teria seu nome maculado em todos os noticiários do rádio caicoense, o ministério público, com precisão cirúrgica, certamente, o processaria por danos ao patrimônio e um juiz observando as leis, o encarceraria por considerá-lo um perigo à sociedade. Mas, os verdadeiros culpados pelo caos da saúde em Caicó, pela morte de crianças recém nascidas, por erros médicos, por constrangerem com arrogância e abuso de poder, pessoas humildes, pela omissão da responsabilidade pública em resolver os problemas da população, nada sofreriam, a não ser elogios na imprensa contra-cheque, por serem considerados homens de bem e ilibados na sua conduta pública e de bem feitores, e receberiam como prêmio, um cargo de vereador, prefeito ou deputado.

Precisamos corajosamente, escancarar a farsa que existe em Caicó, e principalmente o uso, por décadas, da estrutura do sistema público de saúde para beneficiar grupos políticos partidários, verdes ou vermelhos, que se encontram instalados dentro das veias financeiras que gerenciam os recursos públicos do SUS para eleger vereadores e deputados e apadrinhar cabos eleitorais. E ainda há quem venha afirmar que, o HS só tá aberto, mesmo com crises, por causa desses senhores, ignorando que eles devem mais ao povo do que o povo os deve. Vivemos na saúde de Caicó, uma crise terminal do modelo político-administrativo de gestão, que em nada reflete as necessidades do povo.

Os problemas existentes no Hospital do Seridó, como também no sistema geral da saúde pública caicoense, não é exclusivamente da falta de recursos financeiros, e sim de má gestão, ausência de responsabilidade social e desrespeito ao povo. O que está diagnosticado é o câncer da apropriação da coisa pública, por políticos profissionais e sanguessugas das fontes operacionais de um sistema falido, mas que ainda se sustenta nas alegações salvadorescas que apodrece na corrente sanguínea das conveniências médicas, numa extiparção de maus atendimentos a trabalhadores, crianças e donas de casas, sangrando pelas hemorragias de práticas meramente curativas, para um povo doente, mais pela falta de cuidados humanos, do que pela falta de hospitais.

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2 Comentários

  1. Eleição disse:

    O comentário traz uma crítica a Polícia que o cidadão revoltado seria preso digo que são os cidadãos que querem essa situação sempre voltado deles para administração pública a forma de reivindicação e não colocando eles no poder. A forma de danificar o patrimônio público não e correto assim a polícia tem que atuar.

  2. jose aldo disse:

    o povo é manipulado com progamas dos politicos e não sabem que tem direito a saude que é dever do estado.tem de fazer ama auditoria ai sim vamos ver que o buraco é mais embaixo.

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