
Os olhos brilham e os dedinhos não param de tocar a tela. Quem já viu uma criança brincando com um celular ou tablet sabe que os eletrônicos parecem exercer uma espécie de hipnose sobre meninos e meninas desde muito cedo, com jogos, aplicativos, filmes e desenhos. Mas o contato excessivo com esses aparelhos pode gerar consequências negativas ao desenvolvimento infantil, principalmente no que se refere à linguagem. Uma pesquisa realizada no Reino Unido, em 2012, constatou que, em seis anos, houve um aumento de 70% nos problemas de fala de crianças por conta do uso frequente de celulares e tablets.
Para prevenir consequências danosas ao desenvolvimento infantil, a Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças menores de dois anos não tenham nenhum contato com a tecnologia. Após essa idade e até a adolescência, o uso deve ser limitado a duas horas por dia.
Segundo especialistas, embora sejam uma fácil e rápida solução para distrair as crianças em viagens e momentos de estresse, os eletrônicos não devem substituir brincadeiras tradicionais e, principalmente, o contato humano.
Brincar com um jogo de memória tradicional é uma experiência muito mais rica do que usar uma versão digital. “Jogos de computador normalmente não dão à criança o mesmo senso de começo, meio e fim. Além disso, o tempo de atenção dela, ao usar um eletrônico, é bem menor”, declara a fonoaudióloga infantil Elisabete Giusti. Isso sem contar que o jogo analógico normalmente promove a interação com alguém, enquanto que, no celular ou tablet, a criança brinca sozinha.
A fonoaudióloga afirma ainda que os pais também atrapalham quando, ansiosos, não dão à criança tempo para falar e acabam, eles mesmos, respondendo às perguntas que fazem.