O Brasil celebrou a tolerância e a diversidade na abertura dos Jogos Rio-2016 – uma festa que refletiu de fato o “espírito da gambiarra”, definido pelos organizadores como “o talento para fazer algo grande a partir de quase nada”. Mas a tensão no país se fez sentir no Maracanã. Para evitar vaias, o nome do presidente interino Michel Temer não foi anunciado ao lado do presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, no início da cerimônia. O peemedebista, contudo, não escapou dos protestos: ao declarar aberta a Olimpíada, Temer foi alvo de sonoras vaias – e de alguns aplausos. Ao fazer seu discurso, já no final da cerimônia, Bach apenas agradeceu às autoridades brasileiras, sem citar Temer nominalmente.
Antes do início da festa, um grupo chegou a ensaiar um ”fora Temer” das arquibancadas – e outra parcela do estádio vaiou a manifestação. Ao fim do Hino Nacional, houve quem gritasse o nome do juiz Sergio Moro, que comanda as ações decorrentes da Operação Lava Jato em Curitiba.
Ao discursar, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, apelou: “Nunca desistimos, essa é a força do nosso povo. Os filhos do Brasil não fogem à luta”. Foi ovacionado. Pouco depois, foi vaiado ao falar da cooperação entre os três níveis de governo. É o espírito olímpico em tempos de crise política.