O Ministério da Saúde monitora 64 pessoas que tiveram contato com o primeiro paciente com suspeita de ebola no Brasil. O paciente, um homem de 47 anos, foi transferido na manhã desta sexta-feira (10) de Cascavel (PR), onde o caso foi detectado, para o Rio de Janeiro (RJ) em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira).

De acordo com o ministro Arthur Chioro, as 64 pessoas monitoradas têm a temperatura medida uma vez por dia e serão monitoradas por 21 dias.

— Foram identificados 64 possíveis contactantes [pessoas que tiveram contato com o paciente], sendo 60 no local do atendimento. Sendo que 3 em contato direto com o paciente, que foram os profissionais que lidaram diretamente com ele.

O ministro acrescentou que todos os brasileiros que tiveram contato com o paciente com suspeita de ebola são considerados de baixo risco.

— Foram identificados 4 contactantes residenciais. São dois casais que estão na mesma residência que este homem. Todos os contactantes foram considerados de baixo risco. Eles farão o monitoramento da temperatura uma vez por dia, com exceção dos 3 contactantes diretos que serão também monitorados 2 vezes por dia ao longo de 21 dias.

O ministério explicou que não há a necessidade de isolamento de contactantes de baixo risco. O ministro Chioro avaliou a ação das autoridades de saúde no Paraná como muito adequada.

— A ação da Secretaria Municipal de Cascavel, os funcionários da UPA foi muito adequada. Imediatamente a partir do momento em que feita a suspeita eles já fizeram o isolamento e somente 3 funcionários tiveram contato mais direto com o paciente.

O homem de 47 anos chegou ao Brasil no dia 19 de setembro vindo de Guiné, na África. Ele procurou uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) na cidade paranaense na quinta-feira (9) relatando estar com febre alta há dois dias. Desde então o homem foi mantido em isolamento total. A medida foi tomada por ele estar no vigésimo primeiro dia, limite máximo para o período de incubação da doença, seguindo os protocolos internacionais para a enfermidade.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Rio, o quadro geral dele era bom quando chegou à capital fluminense, sem apresentar vômitos e hemorragias. Ele foi encaminhado para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em Manguinhos, na zona norte do Rio, onde passará por exames para identificar se realmente está com a doença. A unidade é considerada referência nacional para casos de ebola. O paciente ficará em uma ala especial cercada por um forte esquema de segurança. Os médicos e enfermeiros que estão em contato com o paciente seguem o protocolo de segurança.

Em Cascavel (PR), a UPA foi isolada. A polícia e o corpo de bombeiros fizeram um cordão de isolamento no local. Nenhum paciente, médico ou enfermeiro podia sair ou entrar na unidade. Os pacientes só estariam tendo contato com os familiares por telefone.