“Lugar de macaco era na jaula e não na Olimpíada”, essa frase, postada numa rede social, marcou para sempre a vida de Rafaela Silva. Quatro anos depois de ser vítima de racismo após uma desilusão nos Jogos de Londres-2012, a menina da Cidade de Deus deu a volta por cima em casa, no Rio, com a medalha de ouro no peito.
A carioca de 24 anos viveu o pior dia de sua carreira no dia 30 de julho de 2012. Na capital inglesa, ela despontava como uma das favoritas da categoria até 57 kg, mas foi desclassificada por causa de um golpe ilegal, quando atacou com as mãos as pernas da adversária.
Inconsolável, ela desabou no tatame por longos minutos e precisou ser amparada para deixar a zona de competição, chorando e gritando de desespero.
Mas a dor maior veio poucas horas depois, quando foi buscar conforto nos familiares e amigos nas redes sociais e se deparou com comentários insuportáveis.
“Ele falaram que judô não era para mim, que eu era uma vergonha para minha família, que lugar de macaco era na jaula e não na Olimpíada. Mas o ícone do meu esporte é o francês Teddy Riner, que é negro, então não faz o menor sentido”, lembrou Rafa.