93zm5od8ot_94wr50asyv_fileUm dos principais desafios no financiamento da assistência oncológica na rede pública é o alto preço cobrado pelas drogas mais inovadoras contra a doença. Em alguns casos, o tratamento de um único paciente chega a custar R$ 600 mil.

As novas tecnologias e medicamentos tornaram-se mais efetivas contra cada determinado tipo de tumor, mas o processo de descoberta dessas terapias encarece o produto final.

“O que aconteceu na última década é que a biologia molecular e o estudo genético ficaram baratos o suficiente para detectarmos alterações nas células tumorais a ponto de definirmos o tratamento específico. Conseguimos olhar o alvo e quase que desenhar uma molécula capaz de destruir a célula tumoral. Só que essas drogas chegam caras ao mercado, primeiro porque elas são muito específicas, então não têm venda em larga escala, e segundo porque a indústria argumenta que teve as despesas de várias pesquisas até chegar a uma molécula eficaz”, explica Riad Younes, diretor do centro de oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

O especialista explica que, tanto no aspecto terapêutico quanto no financeiro, é preciso ter certeza de quais pacientes, de fato, terão benefício com esses medicamentos. Não por acaso, as drogas mais modernas – e caras – demoram anos para serem incorporadas no SUS (Sistema Único de Saúde). Nos últimos anos, a situação tem aumentado o número de demandas judiciais por medicamentos contra órgãos governamentais.