
A menos de nove meses dos Jogos Olímpicos, atletas russos consagrados estão envolvidos no que pode ser o maior escândalo da história do atletismo mundial. Uma investigação da Agência Internacional Antidoping concluiu que o uso de substâncias proibidas é disseminado na Rússia. A grande festa do esporte perdeu um pouco do brilho. Ou, nas palavras dos investigadores, os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foram sabotados pelo uso de doping por atletas russos.
Um exemplo: nos 800 metros rasos, duas russas no pódio: ouro para Mariya Savinova, bronze para Ekaterina Poistogova. As duas devem perder as medalhas e ser banidas do esporte para sempre por uso de doping, segundo a investigação.
A conclusão é devastadora: o uso de substâncias proibidas é disseminado entre os atletas russos. Eles não têm opção: ou usam drogas ou não competem. “É pior do que pensávamos. E ao contrário de outras formas de corrupção, essa tem o feito de alterar o resultado das competições”, diz Richard Pound, chefe da Comissão Independente de Investigação da Agência Internacional Antidoping.
A investigação durou quase um ano e confirmou as denúncias que um casal fez à TV alemã ARD. Vitali era um fiscal da agência antidoping russa e Yulia, uma corredora famosa que usava um hormônio proibido para ter mais fôlego e resistência. Quando ela contou isso ao marido, os dois decidiram revelar o esquema, que envolve muita gente graúda do esporte russo e mundial, como o chefe da Agência Russa de Combate ao Doping e o diretor do laboratório onde os testes são feitos. Os dois são acusados de cobrar propina dos atletas para que os exames de sangue e urina tenham resultado negativo.
Também é suspeito o senegalês Lamine Diack, ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, que teria recebido US$ 1 milhão para acobertar o esquema dos russos.
O presidente da Federação de Atletismo da Rússia disse que não há provas de que as falhas foram da instituição, e sim de alguns indivíduos. O escândalo compromete a participação da Rússia nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
O presidente da Federação Internacional de Atletismo, o ex-corredor britânico Sebastian Coe, deu 48 horas para que a Rússia envie as suas justificativas. Ele declarou que a Rússia pode mesmo ser banida das competições internacionais. A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem divulgou uma nota em que declara apoio a todas as iniciativas contra o doping. Para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, a meta é não haver nenhum caso de doping entre os atletas brasileiros.