Grandes discussões marcaram o último dia do Encontro Regional dos Advogados do Sertão. A programação da OAB não foi restrita para profissionais e estudantes de Direito, atraindo agricultores, gestores públicos e acadêmicos de cursos como Geografia e Administração.
Na manhã da sexta-feira (04), no auditório da UFRN, em Caicó, o engenheiro civil, Mestre em Recursos Hídricos e Doutor em Hidráulica e Saneamento, João Abner Guimarães Júnior, discorreu sobre o tema “O Clima Semiárido e o enfrentamento aos efeitos da seca”.
Abner destacou que o Brasil tem uma das legislações mais modernas na área de meio ambiente e recursos hídricos, porém, a política de gerenciamento de recursos hídricos está sendo bombardeada por questões políticas e interesses econômicos. “As políticas públicas devem promover o desenvolvimento sustentável, induzir a gestão efetiva a participar dos debates sobre os recursos hídricos, democratizando, assim, o acesso à água para toda a população”, observou o engenheiro palestrante.
Em seguida, o produtor rural e ex-diretor do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), Manelito Dantas Vilar, abordou as políticas públicas para o semiárido. “Quando disseram que minha palestra seria sobre políticas públicas para o semiárido, eu logo pensei que ‘tiraria de letra’, bastava chegar e ficar calado, pois elas não existem”, disse Manelito arrancando aplausos da plateia. Manelito destacou que é preciso ter uma equação tecnológica para o uso da terra do semiárido e encerar a água como fator de produção na zona seca do Nordeste. Ele foi otimista e disse acreditar que o Brasil se converterá no país mais importante do mundo.
Representante do movimento Grito da Seca, a veterinária acariense Joana Darc, parabenizou a OAB pela iniciativa. Na presença das autoridades políticas ela criticou as renegociações de dívidas rurais. “São três anos de seca. Além da morte do gado, sabemos de homens do campo que enfartaram por pressão dos bancos”, disse Joana Darc.