O uso de grandes quantidades de antibióticos de amplo espectro no controle de infecções em humanos e animais tem criado condições propícias para o desenvolvimento de resistência em populações de microrganismos. Partindo desse pressuposto, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) criou compostos químicos com atividade antimicrobiana, cujo diferencial é a possibilidade de sua ação ser modulada por um estímulo externo: o uso da luz.

Assim, o composto pode ser ativado seletivamente apenas em um local específico em que foi incidido a luz. Com esse diferencial, a atividade pode ser intensificada no local da dor ou da inflamação, por exemplo. Dessa forma, minimiza os riscos de desenvolvimento de resistência microbiana, já que, atuando de maneira seletiva, as bactérias não-alvo não são atingidas da mesma maneira. Atualmente, essa resistência se tornou um problema global, tendo em vista que a velocidade de criação de novos medicamentos tem diminuído drasticamente, enquanto que o seu uso vem crescendo constantemente.

“De uma forma mais corriqueira, é como se a luz fosse o controle remoto com o poder de ligar o composto para que ele consiga matar as bactérias naquela região. Outras regiões do corpo, sem incidência da luz, continuariam com efeito antimicrobiano reduzido”, explica Daniel Pontes. Orientador da tese que deu origem à concessão, o docente do Instituto de Química acrescenta que o produto patenteado não é tecnicamente um “dispositivo”, mas sim compostos químicos, em forma de pós coloridos.