São pouco mais de 6h30. Um ônibus repleto de operários chega a um dos canteiros de obras da Copa de 2022, na periferia de Doha, no Catar. O projeto é ambicioso: construir uma nova cidade, Lusail, para acomodar 200 mil pessoas e um estádio com um custo de US$ 45 bilhões. No vidro do ônibus, a bandeira do país dos trabalhadores: o Nepal. Dentro, o grupo de operários se levanta lentamente de seus lugares e em silêncio, desce do veículo diante do sol que começa a clarear o deserto. Eles acordaram às 5 da manhã e, depois de um trajeto entre o alojamento e o canteiro de obras, começariam mais um dia de trabalho.Operários esperam para começar o trabalho no estádio KhalifaJamil Chade.
Há quase um ano, dirigentes da Fifa foram presos e investigações foram abertas sobre o que seria uma “Copa do Mundo da fraude”. Milhões de dólares foram congelados em contas em paraísos fiscais e cartolas passaram a ser investigados sobre a suspeita de compra de votos para a sede da Copa de 2022. Mas a 6 mil quilômetros da sede da Fifa, nos canteiros de obras no Catar, os operários em condições de semiescravidão tem outras prioridades.
