Muitos dos protestos violentos ocorridos no país nos últimos meses foram liderados por grupos de militantes que contam com apoio oficial. No governo federal, a interlocução com esses movimentos sociais está a cargo de Gilberto Carvalho, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Sua pasta tem até uma subsecretaria dedicada ao diálogo com esses grupos. Em fevereiro, depois que o MST promoveu um quebra-quebra na Praça dos Três Poderes, em Brasília, o ministro saiu em defesa do grupo, de quem é um dos principais interlocutores. Disse que o movimento responsável pelo confronto que feriu trinta policiais continuaria a receber o apoio financeiro de estatais (BNDES, Caixa e Petrobras estão entre seus patrocinadores) e, no dia seguinte, compareceu a um seminário do MST na capital.

Nesta semana, no entanto, o ministro que apoia alguns dos grupos mais incendiários do país terá de atuar como bombeiro. Preocupado com as eleições de outubro, o governo quer evitar que a Copa do Mundo seja marcada por uma nova onda de protestos violentos. E a tarefa de esvaziar essas manifestações e reduzir a oposição dos movimentos sociais foi entregue justamente a Gilberto Carvalho.