A longa reunião da presidente Dilma Rousseff com Henrique Alves e o vice-presidente Michel Temer não foi suficiente para resolver o impasse sobre a ampliação da participação do PMDB no Governo Federal.
Durante o encontro de quase seis horas, na segunda-feira, com peemedebistas, a presidente se mostrou reticente em ampliar o número de ministérios nas mãos do partido, seu maior aliado no Congresso, mas apresentou uma nova proposta que pegou o PMDB de surpresa, disse à Reuters uma fonte do Palácio do Planalto.
Dilma ofereceu ao partido continuar no comando de cinco ministérios, trocando a pasta do Turismo, que iria para o PTB, pela Integração Nacional, um antigo desejo do PMDB, disse a fonte que pediu para não ser identificada. Atualmente, o partido controla os ministérios da Previdência, Minas e Energia, Aviação Civil, Turismo e Agricultura.
A presidente pediu ainda que o partido indicasse o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), para a Integração Nacional, acrescentou a fonte palaciana. O pedido pegou os peemedebistas de surpresa, já que na semana passada, Dilma havia indicado que ampliaria para seis o número de integrantes do partido no primeiro escalão.
A legenda já tinha fechado um acordo interno para indicar o senador Vital do Rêgo (PB) para a nova pasta, que provavelmente seria a Secretaria de Portos. A sugestão da presidente teria surpreendido até mesmo Oliveira, que disse a assessores próximos que prefere disputar a eleição para o governo do Ceará e que não foi convidado para comandar nenhum ministério.
Mais cedo outros dois peemedebistas disseram à Reuters, sob condição de anonimato, que o partido aceitava a proposta anterior de Dilma, onde o PMDB abria mão do Ministério do Turismo, mas seria compensado com o Ministério da Ciência e Tecnologia e também ganharia o comando dos Portos. Esse era o desenho que vinha sendo discutido com a presidente, mas que na reunião de segunda ficou em segundo plano.
A hipótese de não ampliar o espaço e ainda ver a indicação de um senador para a Integração Nacional, irritou a bancada do partido na Câmara, cujo líder Eduardo Cunha (RJ) disse a jornalistas que os deputados indicariam “dois ministros ou nada”. Uma reunião da bancada na Câmara está agendada para quarta-feira para analisar o novo formato discutido com Dilma. A presidente também discutiu com Temer, as alianças regionais entre PMDB e PT.