
Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros durante o surto de febre do Oropouche registrado em 2024 no País trouxe novas evidências que podem auxiliar profissionais de saúde no diagnóstico e na diferenciação da doença em relação à dengue, especialmente em regiões onde os dois vírus circulam simultaneamente. A pesquisa foi publicada na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases e analisou casos atendidos em Manaus, epicentro do surto no ano passado.
Intitulado Perfis clínicos e laboratoriais da doença do vírus Oropouche no surto de 2024 em Manaus, Amazônia Brasileira, o trabalho mostrou que os sintomas das duas arboviroses são muito semelhantes, o que dificulta a distinção apenas pela avaliação clínica. Ainda assim, segundo a médica pesquisadora Maria Paula Mourão, da Rede Colaborativa de Vigilância Ampliada e Oportuna (Revisa), algumas diferenças relevantes foram identificadas. No Oropouche, a dor de cabeça tende a ser mais intensa, as dores articulares são mais frequentes e as manchas na pele costumam ser mais disseminadas.
A pesquisa também apontou alterações laboratoriais distintas. “Observamos no Oropouche um aumento discreto das enzimas do fígado e diferenças na resposta do sistema imunológico”, afirmou Maria Paula. Já na dengue, destacou, é mais comum a queda das plaquetas, além de maior risco de sangramentos e choque. Apesar disso, a pesquisadora ressaltou que os sintomas, isoladamente, não permitem diferenciar com segurança uma doença da outra.