
Uma das seis cidades do Rio Grande do Norte investigadas por suspeita de fraude em processos de licitação e desvio de recursos federais da saúde recebeu um lote de medicamentos com apenas um dia de validade, segundo a Polícia Federal.
As informações sobre o caso de Serra do Mel constam na decisão do desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife, que autorizou o cumprimento dos 35 mandados de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira (27).
No pedido apresentado ao desembargador, a PF apontou que um lote com mil unidades de succinato de metropolol 100mg – medicamento usado para tratamento de pressão alta – chegou ao município com apenas um dia de validade, o que resultou na perda total do lote.
A auditoria da Controladoria Geral da União (CGU) aponta que vários outros lotes chegaram com 30 dias ou 60 dias de validade – prazo considerado curto – e em uma quantidade maior que o histórico de consumo do município.
A investigação aponta descarte de mais de 1,1 mil unidades de Prednisona 5mg (medicamento anti-inflamatório, antialérgico e antirreumático) por expiração de validade, em maio de 2024. Embora o estoque tivesse mais de mil unidades, a PF aponta que desde 2023 o maior volume de saída em um mês tinha sido de 78 unidades.
Outros casos de fornecimento de medicamentos com validade incompatível com a finalidade também foram identificados. Medicamentos como azitromicina 500mg, aciclovir 200mg, metoclopramida 10mg e paracetamol 200mg/ml, também teriam sido comprados com prazo de validade curta e em volume maior que a média histórica de consumo no município.