A disseminação de uma mutação do novo coronavírus no Reino Unido, que pode ser o motivo por trás de uma escalada no número de casos da Covid-19 em algumas regiões do país, coincidiu com o momento em que vacinas começaram a ser aplicadas em diferentes países, como o Reino Unido e os Estados Unidos.
Tão logo tornada pública, a informação de que o Reino Unido identificou a nova variante levantou preocupações sobre um possível impacto das mutações nas vacinas contra a Covid-19, desenvolvidas em tempo recorde — até o momento, Pfizer/BioNTech e Moderna já apresentaram os dados finais da fase 3 de seus ensaios clínicos.
A preocupação, neste caso, é que mudanças no RNA do coronavírus tornem o patógeno menos vulneráveis a determinados anticorpos. Diversos especialistas, no entanto, têm se mostrado cautelosos quanto a um efeito imediato. Uma mutação capaz de afetar imunizantes deve demorar anos para se desenvolver.
— Ninguém deve se preocupar com uma mutação única e catastrófica que tornaria inúteis repentinamente toda a imunidade e seus anticorpos (desenvolvidos contra o coronavírus). Esse é um processo que demora vários anos e requer um acúmulo de múltiplas mutações virais — disse afirma Jesse Blom, biólogo do Centro de Pesquisa em Câncer Fred Hutchinson, em Seattle (EUA).