05 jan 2011
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Blog do Seridó
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12:08min. 
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Médico denuncia calamidade na saúde em Caicó

Em entrevista à Rádio Rural de Caicó, o médico obstetra Elísio Galvão mostrou a realidade enfrentada pelos profissionais da saúde em Caicó, em especial no atendimento realizado no Hospital do Seridó.

Como o senhor avalia a saúde em Caicó?

Elísio Galvão: Hoje, estamos com problemas nas operações de urgência, os partos, por exemplo, os quais são considerados como urgências e carecem da falta de anestesistas para a realização do procedimento cirúrgico. Neste caso, especificamente, a falta de dinheiro é visível.

Qual a atitude do médico quando na impossibilidade do procedimento cirúrgico?

Elísio Galvão: Não podemos fazer nada. A situação é a seguinte: na hora que nasce um menino com problemas, em sofrimento fetal, é quase que atestar o óbito. Os obstetras não são preparados para dar assistência a essa criança. Nos últimos dois dias nasceram três crianças com seis meses e não tivemos nada a fazer, a não ser obrigar a família procurar um pediatra particular, vale ressaltar que neste dia não havia médico pediatra atendendo particular, e isso eu considero desumano. O máximo que podemos fazer é mendigar atendimento em cidades como Currais Novos, Parnamirim, entre outras. Mas o certo é que nestes casos, infelizmente, é quase que atestar o óbito.

Como é a situação dos elementos básicos para o trabalho do profissional de Saúde?

Elísio Galvão: Lamentável. Já falamos terminantemente e parece que ninguém escuta. Roupas no centro cirúrgico, os ferros já não servem mais para operar, falta fio para costurar as cirurgias, os gases e compressas. Juntando tudo isso já dar para saber um pouco de como está a saúde caicoense.

O Ministério Público já teria tomado conhecimento da situação aqui em Caicó?   

Elísio Galvão: Há pouco tempo eu cheguei para trabalhar no plantão de obstetrícia e não tinha medico em nenhum dos dois hospitais da cidade. Eu chamei o promotor Geraldo Rufino para, in loco, comprovar a situação. Já também fizemos uma reunião com a promotora Fladja Raiane e passamos informações de como anda a saúde no município.

Informações afirmam que uma paciente chegou ao hospital para cirurgia e, após o inicio do procedimento, foi constatado a falta de fio para a costura. O senhor confirma?

Elísio Galvão: Isso aconteceu no Hospital do Seridó. Para podermos chegar o útero era necessário um fio que não tínhamos e precisamos esperar que fossem buscar em outra cidade do Seridó. Paramos o procedimento cirúrgico por horas até que ser resolvido o problema. Tínhamos a opção de colocar um fio fino, mas iríamos colocar a paciente em risco. Caso o útero abrisse seria morte na certa.

Trabalhar na saúde em Caicó está difícil para a população e para os médicos?

Elísio Galvão: Eu diria impossível. O melhor seria que fôssemos transferidos para outro lugar. Agora é preciso que a rede básica possa funcionar, o que não está acontecendo. Precisamos de mais profissionais para trabalhar, mais investimento, entre outros.

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